quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Francisco: da simplicidade que educa.




Francisco de Assis, filho de comerciantes da cidade de Assis, na Umbria, Itália, que viveu no século XII. Homem de berço de ouro e camas de linho, mas que se decidiu, já na juventude, pela manjedoura de palha do Cristo. Homem que deixou nu a vida que tinha, para se revestir dos trapos dos pobres e leprosos que rodeavam a cidade. Santo amado do povo no mundo inteiro, encontra nestes tempos seu nome dito com mais frequencia, uma vez que nosso querido papa adotou-o como também seu.

Sua simplicidade e pobreza, sua profunda espiritualidade de comunhão, quebram em nós toda a arrogância de nos acharmos donos do mundo e das pessoas. Pois, quem se acha dono, vê o outro e o mundo como objeto.

Na dimensão das relações humanas, vai na direção daquele que mais sofre, pequeno e oprimido nas mãos daqueles que se acham senhores. Ali, na simplicidade do cotidiano, restaura a dignidade de filhos de Deus, usurpada pela mão dos “grandes” deste mundo. Se faz pequeno a ponto de morar com os que nada têm. Junto dos leprosos, encontra a verdadeira caridade e o rosto sofrido do Cristo crucificado. Não há grandes e pequenos, há irmãos...

Na dimensão da relação com a Criação, ou seja, com o Mundo, descobre esta unidade universal. Se somos filhos, amamos o que vem do Pai. Somos irmãos da água, dos pássaros, da vida que eclode em cada espaço. Distanciamo-nos da filiação divina quando não nos fazemos cuidadores do Mundo/Criação.

Encanta-me o olhar de Francisco: olhar daqueles que são apaixonados pela vida, daqueles que fazem da história também liturgia. Visão acurada daqueles que percebem a graça atuante nas coisas mais singelas. Não digo aqui da graça dos conceitos teológicos acadêmicos, mas daquele movimento singelo e constante da presença de Deus que deu o primeiro movimento e que sustenta todas as coisas na "Verdade do Amor Verdadeiro". Francisco "chupou a laranja", por isso, sabe o gosto que ela tem. Francisco experimentou a graça, por isso, sabe-a a partir de dentro.

Enfim, Francisco é grito ainda a ecoar nos ouvidos, muitas vezes surdos, de nossa geração que se fecha ao outro e ao mundo; a esta geração que profundamente utilitarista, que transforma pessoas, animais, plantas... em objetos para o seu bel-prazer. Francisco é palavra do Pai, voz do Cristo, sentimento do Espírito a nos ensinar a ser gente; a nos recordar o essencial, o simples que muitas vezes deixamos de viver.

Um comentário:

  1. Viver é “re-criar-se”. e "Todos os dias, temos o livre arbítrio de escolher quem
    queremos ser. Hoje, por exemplo, eu escolhi ser feliz. Para amanhã, eu escolhi repetir o dia de hoje…'' Obrigada pela leitura, texto bastante reflexivo...Do linho, do berço de ouro passando pela manjedoura de palha de Cristo... Vivendo no amor de Cristo e no exemplo da humildade de Francisco...

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