sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rumores...


Há rumores... alguma coisa diferente está acontecendo! Luzes pelas ruas da cidade, vitrines decoradas de maneira diferente, sacolas nas mãos... Pessoas mobilizadas no rumor de alguma coisa que parece acontecer. Contudo, minha busca continua em meio à pretensão de um falso inverno e sua neve de material sintético que insistem em jogar na minha cara sob um sol de 37º.

Dentro de mim, uma busca... Tento encontrar a origem do rumor; um parco som de criança que insiste em não calar e que ainda não consegui ver claramente. Tantos rumores, mas pouca coisa aponta para o lugar de sua origem... Cadê esta criança que não para de rir e chorar me convidando para a vida?

No silêncio do meu lugar noturno, quando a cidade já se calou, os sons da criança não param. Quero encontrá-la... Calo um pouco mais e percebo que este riso/choro parte de dentro de mim mesmo. Apuro os ouvidos do coração neste momento epifânico para reconhecer que ele se estende agora para o mundo. Na fisionomia mais profunda daqueles que encontro nos dias, aquele choro/riso se faz presente...

Tantos rostos da criança ressoam nas diferenças de cada pessoa. Uma mesma criança, buscando a beleza e o calor da acolhida humana. Nesta pluralidade, um mesmo rosto, aquele que encontrei nas orações em torno dos presépios das igrejas de minha infância. O mesmo que ressoaria na cruz, acolhendo mesmo no desamparo. O rosto de um Cristo que, ressuscitado, faz-se presente em tantos rostos, desde o ser humano caído na sarjeta, até aqueles que, acalentados pela família, celebram aquilo que já nem se lembram mais.

Meu coração é manjedoura... Lugar de sempre carente aprendiz da acolhida. Vem Senhor para a gruta ambígua da humanidade e faz-nos presépios vivos de sua presença... Na encarnação, acolheste-nos... Ensina-nos a acolhê-lo! Que o barulho dos rumores enfraqueça para que a música de sua voz seja ouvida por nós todos!

Um comentário:

  1. Uauuuuu, lindissimo. Santa inspiração!!!
    "Meu coração é manjedoura... Lugar de sempre carente aprendiz da acolhida. Vem Senhor para a gruta ambígua da humanidade e faz-nos presépios vivos de sua presença... Na encarnação, acolheste-nos... Ensina-nos a acolhê-lo! Que o barulho dos rumores enfraqueça para que a música de sua voz seja ouvida por nós todos!"

    Ensina-me Senhor, para que eu possa também levar-Te sempre comigo, aos que ainda não sabem como acolhê-lo. Amém!

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