sábado, 10 de dezembro de 2011

Chuvas do Advento.


O tempo das chuvas chegou antes que o esperado. Momento em que a natureza busca renovar-se em torrentes que vem do céu. Há muito tempo que não vejo um Advento tão repleto de águas como este. Momento propício para que, cada um de nós, busque se renovar na esperança de um mundo novo. Portanto, mais que um movimento externo do clima, aquele que tem fé encontra sinal que aponta para um movimento interno de renovação das próprias estruturas.

Biblicamente, a água sempre marcou começo, recomeço e renovo. Assim na Criação, assim no dilúvio, assim na água e no sangue que correram do lado aberto do Redentor. Deixar que as estruturas internas sejam modificadas para o novo da alegria da vida em Cristo. Revigorar-se na alegria de saber de um Deus que nos chama a algo mais. Não apesar de nossa humanidade, mas com a nossa humanidade. Lançar raízes mais profundas na direção de “mais viver”.

Que prece fazer neste tempo senão a alegre disponibilidade de querer ser árvore a lançar raízes mais profundas no chão da vida. Para além da fixação em quadros que passam suposta segurança, abrir-se no infindável movimento de um Deus-Trindade que na comunhão chama ao renovo, ao crescimento.

Viver a dinâmica da semente, esta é a chave da vida que o momento nos proporciona. Como a pequena “potentia vitae” rompe-se, deixando as cascas para que o broto possa aflorar, é mister para que a vida caminhe, romper as cascas internamente fixadas para aflorar sob o sol da justiça, que é o Cristo Senhor que vem.

Que o canto escatológico da comunidade, “Vem Senhor!”, realize-se em plena novidade de homens e mulheres nascido do Cristo no Natal! Sejamos sementes sempre prontas a brotar no chão da vida em Deus!

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