quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os anos de nossa vida...

Fico a pensar no Mistério de nosso caminho aqui na terra. Foi-se um tempo em que eu cheguei a me perguntar se realmente somos desejo de um Criador ou meramente um arranjo genético que deu certo, uma mera combinação vencedora na loteria da história do mundo. Pela fé, meu coração foi se conformando na verdade de um amor que transcende qualquer acaso. Habitantes somos no coração de um Deus que se arriscou no nada da morte para recolocar-nos no bom lugar de nós mesmos. Não há certezas científicas que bastem, apenas o salto a partir de uma experiência comunitária e pessoal da fé.

Mistério de Amor: se é de Amor, é de Liberdade. Quão belo perceber que o Criador suporta, inclusive, ser desconsiderado por sua criatura. Amar até tocar as barras das últimas conseqüências. Amor que suporta calar... Percebo sempre mais que os anos que passamos nesta vida, irrepetível, são os anos da pedagogia humano-divina de Deus que nos ensina a amar. Tempo para aprender e apreender este dom sublime, tempo para aprender a ser de Deus. Nisto sinto que minha alma toca as barras do Mistério grandioso que me sustenta. Para além de uma "recompensa" final, apenas uma resposta amorosa à indagação daquele que amou além da conta: "Queres ou não continuar a viver a graça deste amor?". 

É belo perceber que Deus será sempre novidade aos corações daqueles que permanecem atentos à vida. Inclusive no que virá como eternidade, Deus será sempre novidade a nos provocar para o amor. Então, para que perder tempo com tantas coisas que nos endurecem ao invés de gastarmo-nos em aprender a viver a ternura? Já pararam para perceber que as marcas do Eterno em nós são evidenciadas justamente quando nós amamos?


É interessante perceber que a grandiosa maioria de nossos sofrimentos são infligidos por nós aos outros ou são os outros que nos infligem. Meninos caminhantes nas sendas da história, muitas vezes não temos controle sobre o impacto do que fazemos. Ou, como a criança que queima as asas de uma abelha, temos profundo gozo no mal que fazemos. Parte do "Misterium iniquitates". Mal Moral. Por isto, volta e meia aprendemos o perdão, dando-o e recebendo. No mais profundo da nobreza da alma humana, a possibilidade de dar a chance ao outro e a si de ressurgir...

Traumas, choques, engodos, coisas mal resolvidas, todas surgidas do caminhar claudicante neste tempo de aprender. É duro perceber que alguns preferem o chapéu de "burro" e o canto da sala, a crescer na vida e abandonar aquilo que impermeabiliza.

Podem me chamar de "romântico", até mesmo no sentido mais "sonhador" da palavra, mas ainda acredito que a humanidade pode ser diferente ao aprender ser modelada pelo amor. É ato de fé! Certo é que os sofrimentos não deixarão de existir. Sempre haverá esbarrões e espinhos nas "encostadas" da vida. Contudo, pelo menos aprenderemos a deixar que o pó que somos não seja simplesmente chão a ser batido pelos pés da morte. Eternizando-nos na vivência daquele que é Amor, o último inimigo já foi vencido...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

Um comentário:

  1. Muito bom texto para fazer a gente pensar e repensar!!!! Se "sonhador" que seja real, um dia, esse sonho. Precisamos nos fortalecer diariamente nesse amor e cultivar cada vez mais e mais nossa fé! Obrigada...

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