domingo, 18 de setembro de 2011

Setembro: Mês da Bíblia II (cont.)

As dificuldades do caminho.

 

Como antes dissemos, o trecho escolhido para o estudo neste mês é Ex 15,22-18,27. Logo depois de deixar o Egito e atravessar o Mar Vermelho, a longa caminhada do povo de Deus no deserto tem início. São estes primeiros momentos de sua caminhada que iremos acompanhar e meditar. As dificuldades iniciais ficarão em torno da sede, da fome, do perigo dos ataques inimigos e da organização do povo. Tentaremos uma leitura bem mais existencial, para que ressoe de maneira mais contundente em nossa reflexão.

 

A sede: O amargor de "Mara" e escassez em "Massa e Meriba".

 

Em Ex 15,22-27 e 17,1-7, dois relatos sobre a água. Formam como que uma moldura que envolve o trecho de 16,1-35, onde encontramos o relato do maná e das codornizes. Água e alimento são itens essenciais para a subsistência do povo no caminho. No deserto, lugar da provação e crescimento, a vida se encontra em risco. Para crescer é preciso se arriscar na travessia dos desertos da vida.

No primeiro relato temos o episódio acontecido em Mara. Do hebraico "mar", que quer dizer amargo / amargura, designa o primeiro lugar onde o povo no deserto encontra água. Mas a esperança deste encontro se transforma em decepção: as águas estão contaminadas. A tristeza toma o povo no caminho. Naquele contexto, de que adianta a água se ela não pode matar a sede. O povo, ainda sem firmeza nos passos, murmura contra Deus. O SENHOR, aquele que prometera retirar Israel do Egito e conduzi-lo com mão forte pelo deserto rumo à Terra Prometida, não se esquiva. Vem ao encontro do povo caminheiro e transforma as águas amargas em puras, capazes de restaurar as forças. Contudo, sua ação leva a uma nova responsabilidade; sinal de crescimento. Um estatuto e um direito (v. 25) são estabelecidos.

Quantas vezes, no caminhar de nossas comunidades e de nossas vidas, encontramo-nos com estas águas amargas. Ver tanta injustiça, lidar com tantas dores causadas por outrem, perder-se nos jogos da vida, acabam contaminando nossas águas. Até podemos perceber este essencial para o sentido da vida, mas está como que contaminado pela amargura. Aprender a lidar com isto é sinal de crescimento. A presença do SENHOR nos ajuda a romper com o amargor e recuperar a beleza do sentido. Mas, vencer barreiras nos leva a uma nova visão da vida. É preciso refazer-se, ou seja, deixar-se restaurar em nova visão de mundo.

No segundo relato, fechando a moldura das necessidades básicas para se manter a vida, encontramos o relato acontecido em Massa e Meriba. O lugar da provação: Massa significa "provação" e Meriba, "contestação". Mais uma vez a água falta. Agora o quadro é um pouco diferente: não se trata de água contaminada, mas sim, de falta de água mesmo. Tal situação no deserto só poderia levar o povo a um único lugar, a morte. A ação mostra a presença de Deus em meio ao aparente caos. Do nada, Deus faz surgir a água da vida.

Assim, voltamo-nos para os tempos de secura em nossas vidas. Há contextos, em nossas histórias pessoais e comunitárias, onde o essencial parece faltar. A água do sentido mais profundo parece faltar. Como disse certa vez o salmista, a pergunta "Onde está o teu Deus?" parece não calar. Contudo, Deus está sempre conosco. O relato termina com esta afirmação (v. 7). Mesmo quando a injustiça, o egoísmo, o autoritarismo e tantas outras posturas contrárias ao Reinado de Deus entre nós parecem imperar, a certeza é a de que Deus sempre caminha conosco. É nele que encontramos o verdadeiro caminho!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Amanhã tem mais...

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