domingo, 18 de setembro de 2011

Setembro: Mês da Bíblia I

Travessias: Passo a passo e o caminho se faz.

 

Chegamos ao mês de setembro. É tempo de, junto com a natureza, experimentar o gosto bom das novidades de Deus. Nós, Igreja no Brasil, dedicamos especialmente este mês à Bíblia, palavra de Deus para nós. Enquanto comunidade de fé em Cristo, voltamos nossa atenção para a maravilha de um Deus que quis se dizer no interior da história humana na alegria da convivialidade. Cristo, Palavra definitiva do Pai, é a chave de leitura desta história por ser o cume desta auto-comunicação de Deus. Neste ano de 2011, a CNBB propôs o texto de Ex 15,22-18,27 para a reflexão das comunidades e família em todo o Brasil. Como lema, foi escolhido: "Travessia: passo a passo o caminho se faz".

 

Vivendo a pedagogia de Deus no caminho da história.

 

O livro do Êxodo guarda um dos estratos mais antigos da experiência do povo com Deus: libertos do contexto de escravidão e morte sob o jugo do faraó no Egito, o povo caminha no deserto, guiado por Deus, rumo à terra prometida; lugar fundamental da liberdade e da vida. A experiência da libertação na Páscoa (passagem / travessia) é fundamental para a compreensão daquilo que é a pedra angular da fé de Israel: a Aliança. Que, por sua vez, é o chão-contexto onde se realizam os eventos pascais (Paixão, morte e Ressurreição) do Cristo.

Os anos vividos no deserto não foram fáceis. O povo teve que lidar com uma série de limitações e aí aprender a se encontrar com Deus. O povo de Deus não estava pronto quando saiu do Egito. Era preciso ainda crescer em muitas coisas. O deserto será, portanto, o lugar onde o povo também fará a experiência do Deus pedagogo, daquele que ensina os caminhos da Verdadeira Vida. Moisés será a batuta utilizada por Deus para reger a grande orquestra de seu povo. Bem ao modo do agir de Deus expresso pela bíblia, a mediação humana, com suas qualidades e falibilidades, será essencial para que o caminho se faça. A própria história de Moisés, relatada nos primeiros capítulos do Êxodo, será exemplo de uma trajetória pessoal guiada por Deus.

Uma ressalva se faz necessária aqui: a leitura deste livro não pode ser feita apenas como um conjunto de eventos passados. Muito se perderá se isto acontecer. O Êxodo é um "livro-exemplo" para nossos caminhos pessoais e comunitários. Cada vez que fazemos a experiência da travessia-passagem do contexto marcado pela morte para um de mais vida, repete-se em nós e em nossas comunidades aquilo que aconteceu com Israel.

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: A cada dia publicarei um pedaço do texto que escrevi para este mês a pedido de confrades.

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