quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Espaços da vida...

Alguns irão estranhar este texto. Resolvi escrevê-lo depois de algumas experiências na pastoral.Vamos a ele:

Bom, como muitos sabem, tenho um pezinho na roça. Embora tenha nascido e crescido na cidade, a experiência dos bons momentos na infância vividos em uma colônia de italianos marcaram-me muito. Por isso, a terra e o povo da terra me ensinam bastante. Dias atrás, mexendo com a horta aqui de casa, lembrei-me de um ensinamento básico: uma planta só cresce quando se deixa o espaço necessário entre uma muda e outra. Cada planta tem seu jeito e, por isso, os espaços mudam.

Com gente acontece algo semelhante: as pessoas e, conseqüentemente, os relacionamentos nos diversos níveis precisam de espaço para crescer. É sábio quando a gente aprende isto. Saber estar próximo, mas sem afogar o outro, deixando que ele cresça e seja. Meu trato pastoral com famílias tem me enchido de exemplos: marido e mulher só conseguem um relacionamento saudável quando um dá o espaço necessário para que o outro possa ser; pai e mãe só ajudam o filho a crescer se o respeitam em sua individualidade.

Neste espaço de vida para que o outro seja, encontramos o interdito salutar: "Não matarás!". Trata-se de uma "palavra" que se interpõe para que a vida do outro aconteça liberta da violência do "eu". A fusão é mortífera, pois um terá que sumir. É engraçado perceber que, na cultura atual, o engodo de um "ego" inflado tende a querer se fusionar com tudo, absorvendo e anulando: "Minha vontade tem que prevalecer..."; "Ela tem que ser como eu quero...". A boa e salutar dose de solidão praticamente não existe: "Padre, não consigo ficar sozinho (na verdade, consigo mesmo), tenho sempre que estar falando, absorvendo, comendo...".

Neste jogo, outro tipo de solidão surge, esta não tão benéfica, que é a de um esvaziamento interno tão grande que não consegue ser saciado. Um vazio de sentido. Assim, percebe-se que aquele espaço dito anteriormente como necessário para o outro ser, também é necessário para que eu seja. Construímo-nos nos encontros e espaços que damos e recebemos. Só crescemos ao romper a mônada primitiva para nos descobrir em comunhão com um mundo repleto de vida. Um relacionamento saudável com Deus depende disto também... Deixar que Deus seja o outro. Deixar Deus ser Deus em nossas vidas, e não uma imagem do ego insaciável, construído por carências. Mas isto é material para outra conversa...


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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