sexta-feira, 26 de agosto de 2011

22º Domingo do Tempo Comum


1ª leitura: Jr 20,7-9: O profeta relata a dificuldade de seu ministério de pregador da verdade de Deus. Mesmo em meio às adversidades e rejeições, a Palavra do Senhor é provocadora e não o deixe ficar calado. Deus é sua força.

 

2ª leitura: Rm 12,1-2: Um texto pequeno, mas muito significativo na dinâmica da carta aos Romanos de Paulo. O eixo central da compreensão está no v. 2: "Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos...". Observando o texto em grego, percebemos nuances significativas: não nos conformar com o mundo significa não se deixar "esquematizar pelos esquemas" prevalecentes, achando que tudo está bom, mas assumir uma postura crítica guiado pela luz da vontade de Deus. Nosso modo de viver é Cristo.

 

Evangelho: Mt 16,21-27: Pedro, ligado à imagem prevalecente sobre o Messias no ambiente cultural do primeiro século, não consegue perceber a dinâmica e os valores que regem o Reino. Rompendo com os esquemas preestabelecidos, Jesus amplia a visão dos discípulos mostrando que, na dinâmica do Reino, muitas vezes a perda ou a morte são integradas no interior de um projeto maior de mais vida. Seguir o Reino, muitas vezes, é remar contra a maré do cultural preestabelecido.

 

Breve Reflexão: Assumir a dinâmica do Reino de Deus em nossas vidas, muitas vezes, significa remar contra a maré. Deus rompe com o preestabelecido quando este é gerador de morte em todos os aspectos da vida humana. Para aceitar a novidade de Deus para a humanidade, é preciso estar com o coração aberto e livre. Não se trata de fechamentos e fundamentalismos, pelo contrário, trata-se de assumir uma postura dialogante com os tempos atuais, denunciando aquilo que não condiz com a verdade do Deus da vida.

O problema é que, às vezes, nos acostumamos com algumas coisas não tão edificantes de nossa cultura, passando a achá-las normais. Eu, por exemplo, vi isto acontecer com freqüência em lugares de extrema violência, onde a morte de jovens é fato diário. Com o passar do tempo, depois de ver a morte se repetir tantas vezes, as pessoas passam a encarar com estranha normalidade o assassinato de um ser humano. E isto é apenas um exemplo entre outros tantos.

Jesus teve que lidar com estes esquemas preestabelecidos não geradores de vida. Pedro, na passagem que hoje lemos, explicita muito bem isto. Em sua compreensão, o Messias não poderia morrer, pois isto significaria o fracasso da "causa". Não lhe era possível compreender, pelos pré-conceitos que tinha, que a entrega da vida de Jesus poderia se transformar em mais vida na fidelidade de Deus. Contudo, Jesus o recoloca no lugar de aprendiz. No texto grego, a tradução do v. 28 fica mais ou menos assim: "Vai para trás de mim...". Ou seja, que Pedro volte ao lugar do aprendiz, atrás do Mestre, para descobrir a vontade de Deus e romper com os seus preconceitos.

Precisamos, cada vez mais, de verdadeiros profetas para nosso tempo. Pessoas que, sem medo, não se calem diante do preestabelecido, mas que, com a novidade do olhar de Deus, saibam desencadear, com suas palavras e ações, a mentalidade do Reino. Contudo, assumir nossa vocação de profetas, proclamada em nosso batismo, pode acarretar incompreensões e conflitos, como bem sofreu Jeremias. Como o profeta, saber que a Verdade de Deus é nossa força e alegria, mesmo em meio às tribulações. 

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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