quinta-feira, 23 de junho de 2011

XIII Domingo do Tempo Comum - Ano A

1ª leitura: 2 Rs 4,8-11.14-16a: O profeta Eliseu é bem recebido na casa de um casal idoso. Aonde o profeta vai levando a palavra de Deus, o próprio Deus é quem segue junto. Quem acolhe o profeta do Senhor em sua missão, acolhe o próprio Senhor. Por isso a graça acontece na vida daquela família. Os corações estão abertos para a palavra do Senhor.

 

Salmo 88: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor.

 

2ª leitura: Rm 6,3-4.8-11: Paulo trabalha, neste breve trecho da carta aos Romanos, o batismo. Imersos no Cristo (a palavra batismo encontra seu sentido etimológico no verbo grego que significa imergir) nossa vida encontra seu sentido na medida em que vamos nos conformando ao Cristo. Isto significa acolher, como o Cristo acolheu, não só a glória da ressurreição, mas também a realidade dura da dor da fidelidade a Deus na cruz, na medida em que o confronto com o mundo que não aceita a verdade do Cristo se acirra.

 

Evangelho: Mt 10,37-42: No tempo comum, celebramos, enquanto comunidade de fé, nossa continuidade na missão do Senhor. O presente trecho encerra o sermão missionário de Jesus no Evangelho de Mateus. Aonde vai aquele que testemunha a palavra de Deus, aí vai também o próprio Senhor. Portanto, quem nega a palavra da testemunha, nega aquele que é testemunhado. Quem acolhe a verdade, acolhe a realidade maior manifesta no testemunho. Assim, acolher a Palavra não significa simplesmente uma síntese meramente intelectual, mas deve tocar o mais profundo da vida, causando verdadeira metanóia.

 

Breve Reflexão: Dois temas saltam aos olhos na 1ª leitura e no evangelho de hoje: o despojamento do missionário e o acolhimento. Na primeira leitura, Eliseu é acolhido por uma mulher sunamita e seu marido. Eles constroem, em sua casa, um quarto para abrigar o profeta quando passasse naquelas terras. Com as mesmas palavras dos hóspedes de Abraão (Gn 18,14 – que também é uma narrativa sobre a hospitalidade), Eliseu agradece a acolhida. Acolher um enviado do Senhor, é acolher a própria palavra do Senhor que ele traz.

O Novo testamento também trabalha este tema, mas com um enfoque diferente. Eliseu era visto como "grande" homem de Deus. Já os discípulos, eram "pequenos" diante do mundo. Vivendo a dificuldade e rejeição dos primeiros tempos da pregação, os discípulos não têm lugar de destaque diante da sociedade. Assemelham-se ao Mestre, inclusive ao serem rejeitados pelos grandes. Outro tema caro a Mateus surge com força: acolher e fazer o bem aos pequenos é grandeza aos olhos de Deus (Mt 25).

Portanto, entre os "pequenos" discípulos e o Mestre, há profunda identificação. Quem os recebe, recebe o próprio Filho e o Pai. O acolhimento é sinal de verdadeira abertura para a verdade e o modo de vida de Jesus. Não é o fausto aos olhos que preenche o coração, mas é o verdadeiro brilho do Cristo presente na fraqueza destes homens que realmente toca. Como disse uma amiga, "só se vê bem com o coração".

Por sua parte, a simplicidade do profeta/discípulo revela que não são belas teorias e retórica que formam o centro de sua missão, mas seu desejo é tocar os corações para a verdade do Cristo que ele experimentou pessoalmente e em comunidade e que faz ele relativizar tudo mais pelo Reino. Que brilhe em nós, apesar de nossa fraqueza, a beleza do Cristo. Fazendo-nos pequenos, Tornemo-nos grandes para o Reino!


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

Um comentário:

  1. Os seus textos são profundos! maravilhosos! Estão sendo guardados em uma pasta no meu computador. Parabéns! Estou amando!

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