quarta-feira, 15 de junho de 2011

A mística das pequenas coisas... Parte 1

Depois que comecei a estudar um pouco mais de fotografia e pude ter em mãos um equipamento razoável, percebi que um lado adormecido de minha sensibilidade começou a aflorar. Passei a me especializar em fotos de pequeninas coisas. Inclusive, a foto que você vê ilustrando este post foi tirada por mim em Carrancas – MG, lugar onde preguei a semana santa neste ano. O gosto bom de saborear estas visões e me encantar com isto passou a me invadir de maneira nova.
Confesso que experimentar esta face adormecida de minha sensibilidade tem provocado em mim muitas reflexões. Tempos atrás, aqui no blog, comecei uma reflexão sobre o olhar. Prometo que continuarei. Aliás, este pequeno texto pode muito bem se encaixar nela, uma vez que percebo que o nosso olhar, desavisado como anda, perde a grandeza da beleza da presença de Deus nestas pequeninas coisas. Transpondo nossa reflexão do mundo das coisas para o mundo das relações, a presença de Deus no corriqueiro e nas pequenas coisas da vida parece eclipsada pelo movimento, muitas vezes mercadológico, de um império do grande, voluptuoso e extraordinário.
Um olhar fugaz, um abraço, um beijo sincero, uma palavra, um rápido aperto de mãos... coisas que aos poucos vão perdendo o sabor em meio ao exótico do mundo atual. Contudo, como todo bom cozinheiro sabe, o mais caro dos peixes, por exemplo, só terá bom sabor se a pequenez dos temperos entrar em sua boa medida. Ingredientes simples, como o sal, as ervas, o azeite, coisas que nem vemos quando entramos em uma cozinha, na sua medida certa, fazem toda a diferença.
Acontece que, lenta e imperceptivelmente, os temperos, presentes nas pequenas e corriqueiras coisas, vão sumindo de nossas vidas. A encarnação mais uma vez me encanta... A grandiosidade de um Deus que se faz pequeno para, assim, escolher a humanidade como sal do mundo, tempero da Criação. É preciso apurar os sentidos do espírito para sentir a presença do sabor do Verdadeiro Espírito, sabor do Deus Verdadeiro.
Assim, termino sem terminar... Mais uma reflexão que fica em aberto para ser continuada depois.

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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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