quinta-feira, 30 de junho de 2011

Festa de São Pedro e São Paulo - Comentário aos textos da liturgia da palavra do próximo domingo

1ª leitura: At 12,1-11: Herodes Agripa I, depois de mandar executar Tiago, filho de Zebedeu, manda aprisionar Pedro. A comunidade, unida em oração, entrega nas mãos do Senhor o destino de Pedro. Durante a noite, um anjo vem libertá-lo. Assim como na libertação do povo do Egito, é Deus quem age, libertando os seus do cárcere. É Deus quem liberta.

Sl 33: De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

2ª leitura: 2Tm 4,6-8.17-18: O tom do discurso de Paulo é de despedida. Aparentemente, encontra-se só. Ninguém o assistiu em sua defesa. Contudo, fala com o coração cheio de gratidão. Fiel ao Deus da vida, "guardou a fidelidade": a sua e a dos fiéis. Por isso, verdadeiramente não está só. Deus o acompanha. Como o Cristo, o último ato religioso de sua vida é a entrega da mesma. Sua vida encontra-se nas mãos de Deus.

Evangelho: Mt 16,13-19: Em meio a tantas vozes dissonantes e confusas sobre Jesus, a clareza da fé professada por Pedro surge como a rocha firme sobre a qual a comunidade discipular dos tempos construirá, na graça do Cristo, o edifício de sua história. Jesus confia a Pedro o ministério de coordenar a comunidade (as chaves), o poder de ligar e desligar (= obrigar e deixar livre; decidir), com ratificação divina.

Breve Reflexão: Pedro e Paulo, duas maneiras de enxergar a mesma missão discipular de continuar o caminho do Mestre. Duas realidades coexistentes e que se completam na verdade de uma comunidade que se faz no seguimento ao Mestre pelos caminhos da história.

Podemos dizer que Pedro representa a dimensão eclesial mais interna do cuidado da fé. Caminhando em comunidade, crescendo no amor e no conseqüente conhecimento de Deus. Sobre o alicerce, a rocha firme que é a graça da fé, crescer a cada dia na vivência da liberdade dos filhos de Deus, na comunhão e na caridade inerentes à nossa condição de família de Deus. Experimentar, a cada dia, a libertação das cadeias do afastamento de Deus e dos outros, abrindo-se para a realidade de uma Vida que nos vem de Deus e nos eleva a patamares mais elevados de vida na comunhão do Espírito.

Paulo, por sua, na qualidade de pregador carismático da fé, instiga-nos à dimensão de uma Igreja que vive, face ao mundo, seu testemunho da verdade que a forma. A qualidade da fé de Paulo nos conduz na direção do mundo, de uma Igreja aberta, arejada pelos ventos do Espírito, que quer testemunhar, com alegria, mesmo nas realidade mais doloridas, a certeza da fé que a congrega.

Desta forma, compreendemo-nos como cristãos no encontro destas duas realidades. Dizer que acreditamos, não significa apenas professar um conjunto de afirmativas decoradas, mas que a realidade que professamos nos forma e nos leva a proclamar para o mundo, a partir deste lugar privilegiado que é a comunidade de fé, a alegria de estar na presença de Deus com os irmãos, vivendo o sentido maior que brota do coração de Deus e nos faz superar as barreiras dos contra-valores e sermos mais humanos.

Que a fé de São Pedro e de São Paulo, base e baliza da nossa fé, nos conduza a caminhos mais altos em nossa humanidade.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.:
1- Neste belo ícone, acima da cabeça de cada personagem, para identificar, o nome em grego dos santos: do lado esquerdo de quem lê, São Pedro, do lado direito, São Paulo.
2-Logo mais, a reflexão do segundo dia do tríduo do sagrado coração.

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