segunda-feira, 6 de junho de 2011

Encontro...

Neste final de semana, encontrei-me com a morte em um box de UTI. Chamado às pressas para assistência eclesiástica a um doente terminal, me vi diante da morte com sua face implacável. Lembrando daquele filme do cineasta alemão Igmar Bergman, "O Sétimo Selo", senti-me um expectador do mórbido jogo de xadrez travado ali naquele lugar. Jogo que, cada um de nós, humanos que somos, um dia iremos travar.

Passou-me pela cabeça, naquele momento de total impotência que eu experimentava, a realidade que professo na fé. Como padre, coube a mim apenas rezar por aquele que sofria, sabendo que na batalha do débil corpo esgotado, a última palavra a ser dita é a do Cristo, ou seja, ressurreição e vida. Nestes momentos, o sentido último da vida é posto em destaque. Um sentido que é Dom, por essência. Arriscando-se no abismo da morte, como disse certo teólogo alemão, o Cristo regatou aquele que estava fadado ao nada, doando-lhe sua própria vida.

Um pensamento bíblico me ocorreu: "A vida dos justos está nas mãos de Deus e nenhum tormento os atingirá" (Sb 3,1-12). Aí está a centralidade de nossas existências cristãs. Nossa vida está nas mãos de Deus; é ele quem nos conduz para os caminhos da eternidade. A pequenez e a fugacidade de nossas existências encontram, assim, nova realidade neste sustento divino, e, por isso, nossas vidas caminham para a plenitude na graça maior de se encontrarem nas mãos do Criador. O definitivo não é a morte, mas sim, a vida sustentada por Deus que não encontra na morte uma inimiga, mas uma etapa dela própria.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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