sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ascensão do Senhor

1ª leitura: At 1,1-11: Lucas, bem no início do livro dos Atos dos Apóstolos, estabelece uma espécie de dobradiça que liga este livro com seu Evangelho. Faz uma anamnese daquilo que aconteceu depois da ressurreição até a ascensão, terminando com a promessa do retorno do Senhor para que a obra seja consumada. Nesta ausência do Mestre, sua presença se faz real na própria ação dos discípulos. Eles continuarão a presença do Mestre que os acompanhará, não mais fisicamente, mas de outra forma, na força do Espírito da Verdade. Até a volta do Senhor, a realidade da Igreja é ser missionária.

2ª leitura: Ef 1,17-23: A oração do autor da carta se transforma em uma proclamação dos magnalia Dei realizados em Jesus Cristo. O ressuscitado, feito cabeça da Igreja por Deus, é quem a conduz pelos caminhos da história, ao passo que ela, sendo corpo do Cristo, continua a ação do próprio Senhor no mundo. Ela é, portanto, presença atuante do próprio Cristo no mundo.

Evangelho: Mt 28,16-20: Na despedida de Jesus, a dimensão missionária da Igreja fica mais ainda visível. Ele vai para o Pai, mas a tarefa de continuar sua missão para os povos continua na comunidade discipular. O mandato, "Ide pelo mundo e fazei discípulos meus...", torna-se baliza de vida para a comunidade cristã, pois é o próprio Mestre ressuscitado que lhes confia esta missão. Não é sem mais que este fato aconteça na Galiléia das nações.

Breve Reflexão: A marca missionária da comunidade dos fiéis aparece com grande força nesta liturgia. Chamados a continuar a ação do Mestre no mundo, vivendo na presença-ausência do Ressuscitado no Espírito, a comunidade pode ser compreendida como "Mãos e Pés do Senhor", pois, através dela, a palavra eterna do Pai continua a cumprir seu mandato de levar aos povos o Amor Maior.

Assumir esta realidade é tarefa da Igreja. Missão que acontece na radicalidade do seguimento, permeada pela falibilidade humana. Santa e pecadora, a Igreja segue pela história, dando testemunho da verdade maior que constitui seu fundamento. Gosto muito de fazer memória do conceito vindo do Oriente de "Theosís", traduzindo, divinização. No caminho pedagógico da Palavra no mundo, a comunidade tende a se desvencilhar daquilo que não corresponde ao Reino para, redimida, dizer ao mundo a verdade do Ressuscitado.

Viver esta missão supõe um plano ético-vital que se caracteriza por posturas que firmem o Reino entre nós. Deixar e denunciar o mundo de injustiças, fechamentos e, portanto, pecado, torna-se constitutivo do modus vivendi cristão. Tratar das feridas, compreendê-las e saná-las também fazem parte deste caminho redentor.

Deus nos inspire nesta ética nascida do Cristo! O Espírito do Ressuscitado nos conduza pelas estradas da vida! Vivamos nossa vida em comunidade na proclamação das grandezas de Deus, que são sua misericórdia e condescendência e encontram sua realização plena na comunhão da Trindade.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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