sexta-feira, 6 de maio de 2011

III Domingo do Tempo Pascal

1ª leitura: At 2, 14.22-23: Com este texto dos Atos dos Apóstolos, nossa caminhada vai se aprofundando no conhecimento das comunidades cristãs pós-pascais. No discurso de Pedro os acontecimentos da vida de Jesus, lidos pós-Páscoa, são interpretados como cumprimento de tudo aquilo que o Senhor Deus havia prometido ao seu povo. Jesus é reconhecido como o Messias que deveria vir da casa de Davi. Nossa participação neste mistério do Cristo se dá pela ação do Espírito Santo.

 

2ª leitura: 1Pd 1,17-21: A dimensão vicária da entrega do Cristo surge com bastante força neste texto da primeira carta de São Pedro. Não foi ouro nem prata o que nos libertou da escravidão, como era feito com os escravos naquela época. Prisioneiros de uma vida vazia de um sentido mais profundo, nós fomos elevados a outro horizonte de sentido existencial na entrega de Jesus Cristo, que nos reaproxima de maneira definitiva a Deus. É por meio dele que chegamos a Deus.

 

Evangelho: Lc 24,13-35: Este relato de Lucas possui uma grande força simbólica. Mais do que apenas um momento extraordinário na vida de dois discípulos do passado, este caminho expressa o próprio processo de amadurecimento da comunidade discipular nos primeiros momentos pós-Páscoa e se "repete" até hoje, sendo reapresentado na vida de toda comunidade cristã. O tom inicial é de derrota, pois aquele que encarnava toda a esperança morrera. Mas, na medida em que vão caminhando e, permeados pela graça, vão compreendendo em profundidade os acontecimentos, sua tristeza vai se transformando em plena alegria e coragem, a ponto de retornarem para o centro da perseguição: Jerusalém, a fim de comunicarem aos outros a grandeza do acontecido. O caminho vai do não-reconhecimento e, portanto, distância, para o reconhecimento e comunhão.

 

Breve Reflexão: O centro de sentido no conjunto de leituras deste domingo é encontrado no trecho do Evangelho que foi lido hoje. A saída da escuridão para uma vida marcada pela presença de Deus e pela comunhão é o caminho que todo o discípulo deve fazer no seguimento do Mestre. E isto foi muito bem expresso nas 1ª e 2ª leituras.

Recebida como Dom, esta graça da presença de Deus em nossas vidas é que doa sentido profundo à nossa existência pessoal e comunitária. Trata-se, assim, de um entrar na pedagogia divina que conduz nossa humanidade para caminhos mais plenos. Jesus é a chave de leitura de todo este projeto, uma vez que nele fomos chamados a nos tornar filhos nos conformando à sua imagem, ele que é o Filho por excelência.

--
P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

Nenhum comentário:

Postar um comentário