sábado, 5 de março de 2011

IX Domingo do Tempo Comum - Ano A

1ª leitura: Dt 11,18.26-28.32: O presente texto expressa a base do pensamento do autor deuteronomista. Trata-se, portanto, de uma ética nascida a partir da vivência da Lei. Escolher a Lei como normativa de vida proporciona um caminho seguro sob o olhar de Deus. O contrário, logicamente, levará à ruína. Bem entendida, esta afirmação está na origem de uma vida ética alicerçada na relação da comunidade com Deus. A leitura polarizada e enrijecida deste paradigma levará, posteriormente, à origem da crítica sapiencial e será base de diversos discursos de Jesus em seus embates contra os fariseus.

 

2ª leitura: Rm 3,21-25a.28: Paulo nos coloca diante da centralidade redentora do Cristo. A Lei e os profetas encontram seu ápice e cumprimento em Jesus Cristo, aquele que, por sua ação salvífica, nos comunica o verdadeiro rosto de Deus e resgata a humanidade das prisões da morte.

 

Evangelho: Mt 7,21-27: Assim como Moisés exorta o povo a optar pelo caminho da Lei, Jesus chama a atenção para uma verdadeira adesão à ética do Reino. Não se trata apenas de uma adesão só de boca, mas sim, de um comprometimento que toca as raízes profundas do próprio viver. A parábola que se segue à exortação feita por Jesus, apresenta a vida como a construção de uma casa. As opções tomadas pelo construtor refletem no futuro da construção. Aqueles que edificam sua vida sobre a rocha firme do Reino, colherão bons frutos.

 

Breve Reflexão: Mais alguns dias e iniciaremos um tempo profundo no ano litúrgico: a quaresma. Tempo marcado pelo constante convite à conversão, ou seja, à mudança de mentalidade, à correção das rotas, para que se possa trilhar mais perfeitamente o caminho do Reino.

As leituras separadas para hoje nos colocam diante da radicalidade da opção por Deus e seu Reino. A Lei, na primeira leitura, é apresentada como verdadeira normativa de vida, como caminho para se viver segundo a vontade de Deus. Na segunda leitura, Paulo nos apresenta uma fundamental mudança para nós cristãos: Cristo é a verdadeira norma de vida. Nele a Lei e os profetas encontram sua plenitude e cumprimento. O evangelho, com consonância com a primeira leitura, nos apresenta o Reino de Deus, realizado em Jesus, como a rocha firme sobre a qual o caminho da vida deve se alicerçar. Solo firme onde a construção de nossas vidas encontra sua segurança.

Assim, a liturgia da palavra de hoje está como a nos preparar para o tempo forte que se inicia. É hora de corrigir a rota de nossos caminhos em direção à plenitude que nos é oferecida em Jesus. É ele o verdadeiro caminho da vida e da benção, estrada que nos conduz ao Pai. Desta forma, o Reino de Deus evoca toda a força ética de uma vivência profundamente humana segundo a vontade do Pai.

Neste espírito de conversão, a Campanha da Fraternidade deste ano tocará em uma das maiores feridas de pecado de nossa sociedade: a questão ecológica. Chamados a cuidar da vida, nós, seres humanos, muitas vezes movidos pela ânsia do capital, produzimos morte onde Deus plantou a vida.

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