quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Epifania do Senhor - Comentário à liturgia da Palavra de 02 de janeiro de 2011


1ª leitura: Is 60,1-6: Is 9,1 anunciou um novo tempo para Israel, um tempo de esperança, mesmo em meio ao contexto desolador causado pela série de deportações que despovoaram a Galiléia em 732a.C. Cerca de 200 anos depois, um discípulo da escola de Isaías retoma a imagem no contexto da reconstrução de Israel. É uma mensagem carregada de esperança pelo retorno daqueles que foram exilados. As nações devolvem a Israel seus filhos e filhas que ainda vivem no estrangeiro, e oferecem suas riquezas ao Deus que realmente salva o seu povo. No contexto dos Evangelhos, as nações tomam figura nos magos que vêm do Oriente. A profecia se realiza. Para eles, o Cristo aparece como "luz misteriosa".

 

2ª leitura: Ef 3,2-3a.5-6: A promessa de Deus se dirige, primeiramente, a Israel. Contudo, o projeto salvífico de Deus vai mais além. Israel é chamada a ser "luz para as nações", lugar tenente da manifestação de Deus para toda a humanidade. Os antigos profetas bem o sabiam, mas o judaísmo contemporâneo de Jesus se esqueceu. Paulo aprendeu esta realidade maior de Deus e mudou seus paradigmas. Os gentios também são chamados à paz que nos vem pelo Messias de Deus. Paulo percebe isso como sua missão pessoal: levar a boa-notícia de Deus aos pagãos.

 

Evangelho:  Mt 2,1-12: A leitura global do evangelho de Mateus nos revela uma profunda realidade da fé: a salvação não está restrita a determinado grupo, judeu ou gentio, mas o que realmente importa é a fé. Os doutos de Israel bem sabiam aonde o Messias nasceria, mas fecharam os olhos à estrela da fé que conduz ao menino. O início com a visita dos magos do Oriente e o fechamento com a missão de evangelizar "todas as nações" (28,18-20) dizem desta verdade.

 

Breve Reflexão: Deus veio nos visitar! Na simplicidade de um menino, assume a realidade humana para eleva a uma dignidade filial. No Mistério do Cristo, Deus abraça a humanidade em sua luz resplandecente. Na liturgia da festa da Epifania ("manifestação") de Deus, o símbolo da luz retorna com toda a sua força. "O sol nascente nos veio visitar, lá do alto como luz resplandecente". Uma luz que não que ilumina a todo o homem que vem a esta terra, concedendo-lhe vida.

A universalidade da salvação é cantada a plenos pulmões nesta liturgia. Deus não é de uns poucos, mas se aproxima de todos para ser acolhido pela fé. Os magos do Oriente apontam para esta universalidade; Paulo nos diz dela ao falar de sua missão; o profeta nos convida a participar desta esperança de Deus. Que maravilhosa realidade!

Aquele que bem compreendeu isto, passa a se ver como a pequena Belém, pequeno povoado que nem constava no mapa dos reis vindos do Oriente, mas que se torna, pela ação de Deus, testemunha para o mundo da grandiosidade da Encarnação. Não a Roma dos "césares", nem a Jerusalém de Herodes, mas a pequena Belém. Não o coração soberbo que quer dominar até a Deus, mas o coração simples que se abre como lugar da graça para os outros pela presença de Cristo.

O "todo-poderoso" se fez "não-poder" na simplicidade e precariedade de uma criança pobre. Enquanto Herodes opta pela morte, usando seu poder para passar a fio de espada inocentes, Deus se faz pequeno e manifesta seu poder que opta pela vida humana. Onde sofre um irmão pelos poderes da morte coordenados pelos homens, muitas vezes institucionalizados em nossa sociedade, sofre aí o menino Jesus em sua opção pela vida.

Encerro com uma bela frase do teólogo Leonardo Boff: "Todo menino quer ser homem, todo homem quer ser rei, todo rei quer ser deus; mas só Deus quis ser menino". Que Ele nos livre da violência e da prepotência!

 

Pe. Maikel P. Dalbem

Twitter: @dalbemcssr

Um comentário:

  1. Maikel,
    Você vai longe!
    Parabéns pelo blogspot e por seu conteúdo. Foi também para isto que valeu fazer o Mestrado!
    Pe. Valdir M.

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