sexta-feira, 29 de outubro de 2010

XXXI Domingo do Tempo comum - Reflexão

1ª leitura: Sb 11,23[22] – 12,2: O autor nos mostra a ação da Sabedoria de Deus no mundo se manifestando como misericórdia e carinho. Até o "castigo" tem uma função libertadora. Ele não é amigo da morte, mas sim, da vida. Aos pecadores, trata com amor de educador.

 

2ª leitura: 2Ts 1,11-2,2: Esta carta de Paulo lida diretamente com o problema daqueles que, fanáticos, anuciavam o dia do Senhor para já, dizendo que já não vale trabalhar e cuidar do mundo. Mostra-nos que o essencial não é viver na preocupação, até no pavor, do fim do mundo, mas sim o que realmente importa é viver em Cristo, sentido global, finalidade de nossa existência.

 

Evangelho: Lc 19,1-10: Após o publicano que a liturgia da Palavra nos apresentou na semana passada, hoje surge para nós Zaqueu, outro publicano. Este homem que se encontrar com Jesus e usa todos os meios possíveis para vê-lo. Este encontro, esta comunhão (de mesa), provoca significativa mudança de vida. Aquele que estava perdido é resgatado (tema lucano muito importante – cf. Lc 15). O começo de uma nova vida é marcado pela restituição dos bens.

 

Breve Reflexão: Vamos chegando ao final de mais um ano litúrgico. Daqui há poucas semana começaremos as celebrações do Advento, deste tempo de preparação para a novidade de Deus em nossas vidas. Este fato é bastante significativo para interpretação das leituras de hoje.

Com o final do litúrgico, as leituras vão ganhando um tom escatológico, ou seja, vão apontando para a finalidade, para o sentido último de toda existência cristã. Não se trata de um discurso sobre o fim do mundo, ou sobre precisões catastróficas, mas de um ensinamento sobre o que realmente conta na vida. Tendo isto em mente, leiamos agora o sentido deste conjunto de leituras.

O trecho do livro da Sabedoria nos apresenta a proximidade de Deus com a história humana. Ele a conduz como seu "Pastor-educador". Respeitando a liberdade da criação, ele a acolhe e chama para caminhos de vida. Com a realidade profunda da encarnação, Jesus Cristo é o verdadeiro caminho de Deus para a humanidade. É isto que Paulo nos diz na segunda leitura. Para ele, não interessa saber o dia e a hora do "fim do mundo", mas viver em Cristo, diante do definitivo que se nos apresentou. Zaqueu, no Evangelho, encontra-se diante deste definitivo de Deus em Jesus Cristo; por isso, provoca uma mudança radical em sua vida. Ele percebeu aquilo que é realmente essencial e se converteu a isto, ou seja, mudou consciência e vida na direção daquilo que realmente vale a pena.

É para esta comunhão com a Trindade que somos chamados. Zaqueu descobriu isto e nós também, ao longo da história, no processo de constante maturação que é a vida, vamos descobrindo aquilo que realmente interessa e dá sentido às nossas existências. Neste sentido, nossas vidas vão sendo moldadas na pedagogia de Deus, vão sendo conduzidas pelo Mistério da Trindade que cria, salva e santifica. Na liberdade que nos constitui, vamos respondendo ao Amor com que somos amados, trabalhando para um mundo segundo o coração de Deus.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

P.S.: Textos publicados semanalmente em www.provinciadorio.org.br/?pagina=palavradedeus

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