sexta-feira, 28 de maio de 2010

Liturgia Dominical - Solenidade da Santíssima Trindade

1ª leitura: Pr 8,22-31: Não podemos afirmar que no A.T. possamos encontrar a consciência da revelação de Deus como Trindade. Contudo, ele nos fala de um Deus que age, fala e que, em seu Espírito, irrompe na história humana penetrando em todo o seu ser. Realidades como "Palavra", "Espírito" e "Sabedoria" de Deus são expressões de "Deus em ação". De certa forma, preparam a visão das três pessoas divinas encontrada no N.T. O capítulo 8 de Provérbios é um grande poema tem com protagonista a Sabedoria. Fazendo um bela leitura da história da salvação, nos apresenta a presença da Sabedoria de Deus junto aos homens desde os princípios até o fim.

 

2ª leitura: Rm 5,1-5: Pela entrega de vida do Cristo, podemos participar da vida de Deus. Por ele nos apresentamos justos diante do Pai que, realmente, quer nos salvar e amar. Participar da vida de Deus é o maior dom que dele recebemos em seu Espírito.

 

Evangelho: Jo 16,12-15: É pela ação do Espírito que os discípulos puderam reconhecer plenamente quem é Jesus. Antes do derramamento do Espírito em Pentecostes, eles ainda não tinham ascendido à "plena verdade". A obra do Espírito em nós, além de memória (cf. 6º dom. da Páscoa), é também comunicação do mistério de Deus em vistas do que há de vir (16,13). A revelação de Deus em Cristo é uma constante, não apenas um passado.

 

Breve Reflexão: Deus é Mistério! Não como aquilo que não podemos falar dele, nem como um enigma, que deixa de ser mistério quando o deciframos, mas Deus é Mistério pois, quanto mais podemos falar dele, mais ainda há o que falar. Deus não se esgota! Nossa compreensão não consegue prendê-lo nos conceitos. Como dizia certo literato: "Deus é pássaro não 'engaiolável'!". Quando pensamos que o prendemos nos cárceres de nossa linguagem, ele já se mostra além, novo e livre.

É nesse Mistério que nos "movemos e existimos" (At 17,28). Podemos dizer dele e experimentá-lo, pois, justamente, ele se manifesta naquilo que nos envolve. Em primeiro lugar, na insondável sabedoria com que foi feito o universo. Foi assim que o judaísmo percebeu a sabedoria como "Deus em ação". Mais adiante, João perceberá como esta sabedoria se articula na pessoa daquele que é chamado "Palavra de Deus", Jesus Cristo. Ele não apenas nos faz ver as maravilhas da inteligência divina na Criação, como também nos revela o mais íntimo ser de Deus, ou seja, seu amor. Uma revelação que irrompe como história, pois ser amor para homens e mulheres históricos só é possível de modo histórico, e se descortina em futuro, como memória atuante, permanecendo conosco no mesmo Espírito que animou o Cristo.

A presente liturgia nos lança na história deste amor que se nos revela e toca como Mistério. Um amor que se revela no interior da história humana, salvando-a. Um Mistério que nos convoca à comunhão na fraternidade, ou seja, a realizar, mesmo em meio às dificuldades do nosso tempo presente, esta comunhão a qual somos chamados a ser na Trindade. De maneira concreta, isto se realiza enquanto processo de humanização. Quanto mais humano, mais divinizado no Cristo. Onde o ser humano é reduzido em sua humanidade, ali é negado o Reino de Deus.


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P.e Maikel P. Dalbem, C.Ss.R.

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