sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Liturgia Dominical

2º Domingo do Tempo Comum – Ano C

 

1ª Leitura: Is 62, 1-5: Depois do fim do exílio, chega o duro momento da reconstrução. Ao se deparar com a realidade difícil, o povo começa a questionar se aquilo é verdadeiramente salvação. O profeta não se cala; sua resposta é : "esperança". Deus ama seu povo e o trata com carinho.

 

2ª leitura: 1Cor 12,4-11: Com esta leitura tem uma série de textos onde o apóstolo tratará o tema dos carismas. Desde o primeiro momento fica claro: são muitos os carismas, mas eles não podem causar divisão, pois todos estão em vistas do serviço à comunidade.

 

Evangelho: Jo 2,1-11: As núpcias em Caná são, no interior da dinâmica do evangelista João, sinal que aponta para a "hora" da glorificação do Filho na cruz. Trata-se, também, de uma espécie de "epifania", uma revelação de quem é Jesus. Contudo, será somente na cruz, momento da plena manifestação da glória de Deus em Jesus, que as núpcias definitivas se realizarão.

 

Breve Reflexão: No evangelho de hoje, lemos a passagem das núpcias em Caná. Ela encontra-se inserida no interior do conjunto maior de Jo 1,19-2,11, encerrando este quadro que é construído em forma de uma semana: 1,19; 1,29; 1,35; 1,43, seguidos da expressão "três dias depois".

Os simbolismos surgem em grande número: esta semana que João coloca como início do ministério de Jesus parece uma repetição da semana inicial da criação; a abundância de vinho é um sinal dos tempos messiânicos (Am 9,13-15); o vinho novo é o último e o melhor, ou seja, o escatológico (cf Mc 2,22); ele vem da transformação da águas das abluções judaicas (Jo 2,6)...

Contudo, este é apenas o "início dos sinais", ainda não se trata da plenitude da obra do Filho, pois ainda não é chegada a obra. A plenitude acontecerá somente na entrega na cruz. Agora, só um primeiro sinal, mas suficiente para que os que a ele se entregaram – seus discípulos – possam começar a acreditar que nele a presença de Deus se deixa entrever. Jesus não veio simplesmente transformar água em vinho, mas veio para dar a sua vida, naquela "hora".

Assim, neste primeiro sinal, Deus surge como o verdadeiro esposo, que, no fim dos tempos, acolhe seu povo como amada esposa. Diversos textos do A.T. utilizam esta imagem. A primeira leitura de hoje é um destes textos, talvez o mais poético. Numa linguagem certamente não estranha para nosso povo, nos faz sentir que o amor de Deus é verdadeira ternura, cordial afeição. Deus quer que tudo o que é seu seja de nós.

Assim, o fato de termos este conjunto de leitura justamente na retomada do Tempo Comum, aponta para a necessidade de desde o início reconhecer a obra de Jesus como manifestação do agir do Pai, não como mera façanha ou extraordinário. Todo o evangelho de João a aponta para a realidade de que em Jesus enxergamos o rosto do Pai, principalmente na "hora" da glorificação/elevação na cruz e na glória.


Pe. Maikel Pablo Dalbem, C.Ss.R.

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